Musgos na Mata do Coto

Cada estação do ano, cada mês, tem os seus encantos. Neste princípio do mês de Fevereiro, a Mata do Coto não tem muitas flores para além do anúncio da Erica arborea. No entanto dá para perceber que o ambiente está favorável às briófitas. Não é preciso mais de um metro quadrado para encontrar estas quatro variedades de musgo, num dos taludes do caminho (fora os que eu não me apercebi).

 Tortula muralis

 Fissidens sp

Polytrichastrum sp
                                                                          Thuidium tamariscinum

Primula acaulis ou a Primavera está a chegar...


Hoje foi dia de ir ver em que ponto estavam as primulas, primaveras ou pascoelas.
Depois de em tempos ter encontrado uma mancha de Primula acaulis espontâneas, hoje  consegui observar um pormenor que desconhecia na altura e que o Prof. Carlos Aguiar chamou à atenção no seu blogue. Encontrei de facto, flores com o pistilo (conjunto dos órgãos femininos) longo e os estames mais curtos - como na foto acima; e flores com os estames mais longos e o pistilo curto - como na foto abaixo.


Além disso, encontrei pela primeira vez alguns exemplares com a flor perfeitamente branca. (foto de cima)

Scilla autumnalis

Nome cientifico: Scilla autumnalis L.
Nome vulgar: Cila-de-Outono

Local: PNSAC

Pequena delicadeza bolbosa que floresce agora no outono. :)

DA MESMA FAMILIA E GÉNERO: 
Liliaceae
««Asparagaceae
   - Scilla hyacinthoides
   - Scilla monophyllos
   - Scilla odorata
   - Scilla peruviana
   - Scilla ramburei
   - Scilla verna

English: Autumn Squill; 

Merendera montana

Nome cientifico: Merendera montana (L.) Lange 
              syn. Bulbocodium pyrenaicum (Pourr.) Samp. 
              syn. Merendera pyrenaica 
              syn. Colchicum bulbocodioides
Nome vulgar: Noselha; Quita-merenda

Local: Serra de Aire e Candeeiros, PNSAC

Planta endémica, encontra-se na Península Ibérica até C Pirinéus, frequente no Norte e Centro de Portugal, em terras de pasto e rotas de rebanhos, á beira dos caminhos, em sítios secos e pedregosos (como neste caso) e em prados de montanha com matos rasteiros.
É um geófito, que floresce do fim do Verão ao Outono, desenvolvendo as folhas basais e lineares apenas depois da floração, mantendo-se verdes até á Primavera.

Tem bolbo oblongo-ovoide com 2-3x1,5-3cm
As folhas, 3 ou 4, são lineares até 22cm x 4-10mm
As flores, 1 ou 2, têm cor purpura, anteras amarelas fixas na base com 5,5 a 12mm
E a cápsula é oblongo-elipsoidal com 1-2,5cm.

DA MESMA FAMILIA:
Liliaceae
- Colchicacea - Colchicum lusitanicum
                    - Colchicum multiflorum

                    - Merendera filifolia
                    - Merendera montana

Quercus x airensis

Nome cientifico: Quercus x airensis Franco & Vasconcellos
Nome vulgar: Carvalhinho da Serra de Aire

Local: PNSAC

Aprendi a história  da formação do nome desta espécie de Carvalho pela explicação no blogue Dias com árvores.

Inonotus sp


Nome cientifico: Inonotus sp
Nome vulgar: ?

Local: Mata Rainha Dona Leonor, Caldas da Rainha





Dia da Conservação da Natureza

" A 28 de julho assinala-se o dia nacional da conservação da natureza. Em 28 de julho de 1948 foi criada em Portugal a primeira organização não governamental de defesa do Ambiente, a Liga para a Proteção da Natureza (LPN). Desde 1998, esta data é celebrada como o Dia Nacional da Conservação da Natureza. " in ICNB




Aproveito para sublinhar esta data, porque dois dias antes tive uma visão muito semelhante a esta foto (retirada da Wiki).


Para minha enorme surpresa, observei um esquilo (Sciurus vulgaris) num pinhal perto de casa, aqui na zona centro de Portugal. Nunca antes tinha observado em estado selvagem, um bichinho destes.


Ao pesquisar sobre o esquilo-comum, apercebi-me da sua raridade e ... é inevitável, começarmos a pensar se será mesmo, porquê, como, etc... 


Ao ter desaparecido de Portugal no sec XVI e reaparecendo apenas nos anos 90, vindo de Espanha e começando a colonizar o norte do país (segundo a wikipédia), penso que estamos pois, perante  um alargamento da sua expansão.


Mesmo a propósito e na minha linha de pensamento encontrei a reportagem da SIC - O regresso dos bichos (na pag. do FB da Biodiversidade Autóctone Portuguesa, partilhada pelo Rui Soares.  :) e deixo aqui...

Ajuga iva

Nome cientifico: Ajuga iva (L.) Schreb. var. iva
Nome vulgar: Erva-crina; Iva-moscada;

Local: Mata das Mestras

Encontrei esta pequena herbácea em solo argiloso, à beira de um caminho na Mata das Mestras. Foi mesmo por acaso que a encontrei, quando me baixei para fotografar um tomilho. Não teria mais que 2 ou 3 cm de altura e foi a flor branca que me chamou a atenção.
E se em principio, ao identificá-la, achei curioso ser uma Ajuga, já não apreciei nada, logo a seguir ver o "iva" :)))

Esta herbácea vivaz, multicaule de base lenhosa, pode atingir entre 4 e 15cm de altura.
As folhas oblongas e estreitas com 1,5 a 7mm de largura são pubescentes e podem ser planas ou com margens revolutas.
A corola pode ter cor rosada, amarela, creme ou branca com pintas púrpura.
Podemos encontrá-la na região mediterrânica e macaronesia.

Omphalodes linifolia

Nome cientifico: Omphalodes linifolia (L.) Moench
Nome vulgar: ?

Local: Serra d'Aire e Candeeiros

Pequena planta herbácea da família dos miosótis, que se distribui pela Península Ibérica e SW de França. É anual, com apenas 15 a 40cm de altura e tem as folhas serrilhadas.
Tem as flores brancas, mas encontrei algumas flores que apresentavam uma muito ténue coloração azulada.
Foto de Sónia Martins ;))
Encontra-se em prados, pastagens, sítios secos, solos rochosos, calcários (como foi este o caso) e incultos.

Percurso Botânico do Paúl ao Rio de Tornada

Dia 21 de Abril
Inicialmente previsto para dia 14, mas adiado devido ao mau tempo do fim de semana passado.

Percurso Botânico do Paúl ao Rio de Tornada

Requer inscrição através do site da Associação PATO (ver no link acima)

Inclui visita guiada ao Paúl de Tornada
Visita ao Moinho das Carrascas
Observação da vegetação existente ao longo do percurso
E... quem sabe uma surpresa reconfortante ;)))

Carex riparia

Nome científico: Carex riparia Curtis
Nome vulgar: Junco

Local: Paúl de Tornada

É uma planta de meios aquáticos com as gemas de renovo enterradas no leito.
Forma tufos altos com cerca de 1 a 1,5m de altura. 
Pussui espiguetas masculinas (castanhas) e espiguetas femininas (brancas).

Salix atrocinerea

Nome cientifico: Salix atrocinerea Brot.
Nome vulgar: Borrazeira-preta; Salgueiro-preto

Local: Paúl de Tornada

Este arbusto ou pequena árvore de até 15m de altura, é característico das margens dos rios e das zonas húmidas e alagadas.
Tem folhas alternas, obovadas, com a página inferior glauca e a página superior de um verde mais escuro, que lhe dá o tom e o nome, em contraste com a borrazeira-branca.

Amentos femininos já a abrir e espalhar a semente.

Coronilla glauca

Nome cientifico: Coronilla glauca L. syn.: Coronilla pentaphylla sensu Willk.
Coronilla valentina L. subsp. glauca (L.) Batt. in Batt. et Trab.
Nome vulgar: Pascoinha; 


Local: Alcobaça


Por esta altura, perto da Páscoa, a exuberante floração amarela que podemos ver nos nossos matos é quase de certeza da Pascoinha. De Março até Julho é a sua época de floração.

Podemos encontrá-la em terrenos incultos e à beira de estradas e caminhos, com preferência pelos solos calcários e argilosos.
Da família das Leguminosas, também é usada como planta ornamental em jardins e parques públicos.


Viola riviniana

Nome cientifico: Viola riviniana Rchb. syn.: Viola canina L. raça riviniana (Rchb.) Samp.
Nome vulgar: Violetas-bravas; Bonelas


Local: Alcobaça
É normal encontrarmos estas pequenas herbáceas ao longo do caminhos que atravessam os bosques, prados e taludes sombrios. Porém não gosta de solos ácidos nem muito húmidos.
É uma herbácea vivaz e podemos encontrá-la em flor desde Março a Agosto.
Sendo a sua flor muito semelhante à Viola odorata, distingue-se desta pela ausência de odor e pela disposição das folhas, que na V. odorata estão todas na base da planta.

Cynoglossum clandestinum


Nome cientifico: Cynoglossum clandestinum Desf. syn.: Cynoglossum officinale Brot.
Nome vulgar: Cinoglossa-de-flor-fechada

Local: Serra do Bouro; Óbidos
Por esta altura, Março, podemos encontrar esta discreta planta herbácea em sítios incultos e secos.
À primeira vista parece uma planta a preparar-se para exibir a sua floração violeta, mas na realidade ela já está em plena floração e daqui não esperemos mais exuberância :)
A razão é que as suas flores não se abrem...

É uma herbácia bianual, da família da borragem, com distribuição pelo W da região mediterrânica, com época de floração de Fevereiro a Junho.
Como é caracteristica desta família, toda a planta tem penugem e particularmente nesta espécie até os lóbulos da face externa da corola têm pelos.
 As partes jovens da planta apresentam o indumento dourado.

Narcissus bulbocodium spp. obesus

Nome cientifico: Narcissus bulbocodium subsp. obesus (Salisb.) Maire syn. N. obesus Salisb.
Nome vulgar: Campainhas-amarelas; (Hoop-petticoat Daffodil)

Local: Salir do Porto

Está a fazer 4 anos que encontrei o Narcissus bulbocodium na Serra do Picoto, Columbeira, Bombarral.
Apercebi-me entretanto de referências a um N. obesus e encontrei-o agora em Salir do Porto.



Distingue-se, entre outros pormenores, pelas suas folhas estreitas e prostradas, cilindricas, compridas e contorcidas, em oposição ao N. bulbocodium que tem as folhas erectas.

Tem os caules uniflorais mais curtos encimados por grandes flores.

Podemos encontrá-lo na Peninsula Ibérica e Marrocos em pastagens, solos secos, ricos em calcário ou pouco ácidos.


Jonopsidium acaule

Jonopsidium acaule ou Ionopsidium acaule está em floração agora em Fevereiro.

Apesar de ser um espécie considerada de protecção prioritária pela Convenção de Berna e pela Directiva Habitats, parece que, tal como está escrito nesta página da SPB, esta pequena beleza não será assim tão rara.
De facto encontrei-a em 'abundância', considero eu, ao longo dos vários kms percorridos na zona de Salir do Porto.

Pequenos acasos



Há dias, um investigador português, abordou-me no sentido de saber onde encontrar esta planta, Araujia sericifera. A razão é que, por se tratar de uma Asclepiadaceae, é um dos alimentos preferidos das borboletas Monarca, objeto do seu estudo.


Quis o acaso que passados poucos dias, uma enorme Araujia surgisse à minha frente carregada de frutos :)


Surge-me então uma outra curiosidade: quem é esta 'Monarca'?


Para mim até agora, era apenas a borboleta célebre por fazer a migração entre a América do Norte e o México. De facto, parece que percorrem cerca de 3200 km, vindas do Canadá e dos Estados Unidos, chegando ao México para passarem o Inverno na Reserva da Biosfera Borboleta-monarca e aí se reproduzirem.

Mas a Wikipédia sabe sempre mais um pouco :))



"
A borboleta-monarca (Danaus plexippus) é uma borboleta da família dos ninfalídeos, da subfamília dos danaíneos, de ampla distribuição nas Américas. Tais borboletas têm cerca de 70 mm de envergadura, asas laranjas com listras pretas e marcas brancas.
Há indícios de que a espécie poderá estar colonizando o sul de Portugal.


A borboleta monarca começa a sua vida como um ovo posto por uma fêmea adulta numa folha de planta de serralha, Asclepias syriaca. É do tamanho da cabeça de um alfinete quando o ovo choca, 3 a 12 dias depois, a pequena larva ou lagarta com riscas brancas, amarelas e pretas, tem oito pares de pernas curtas para trepar e partes da boca desenhadas para mastigar folhas. Mas somente folhas das plantas de serralha, mais nenhuma, como a planta de serralha tem uma seiva branca e pegajosa que é altamente tóxica para os outros animais, mas não afetam em nada a lagarta, apenas tornando seu corpo altamente tóxico para os predadores, como pássaros."

from Wikipedia
outros link: Ecologia da Borboleta-Monarca
Borboletas em Portugal - A chegada da Monarca

O meu primeiro guarda-rios

De manhã cedinho, ao passear junto á Lagoa de Óbidos, encontrei este descontraído guarda-rios
(Alcedo atthis).

Depois de já ter visto muitas imagens magnificas que esta ave proporciona, tinha muita curiosidade de a encontrar. E finalmente vi-a ao vivo...



Estas imagens servem apenas para registar a emoção de o encontrar, pois não consegui melhor...




Como era hora do pequeno almoço, de vez enquando, dava um mergulho ali ao lado, voltando sempre ao seu poleiro. Lindo...



Salsola kali


Nome cientifico: Salsila kali L.
Nome vulgar: Barrilha-espinhosa; gramata;

Local: Lagoa de Óbidos

Planta anual, não muito frequente, encontrada na margem arenosa da lagoa de Óbidos.
É espinhosa e muito ramificada desde a base.
As folhas cilíndricas e alternas confundem-se com as brácteas florais, mas são mais estreitas. Ambas têm espinhos na ponta.
Faz parte das plantas pioneiras a colonizar as dunas, tal como a Cakile maritima.

Anagallis tenella

Nome cientifico: Anagallis tenella L. syn.: Lysimachia tenella
Nome vulgar: Persigueira

Local: Fonte da Mata das Mestras